São Paulo: a pequena colonial

Em seu livro São Paulo: Vila, Cidade, Metrópole, o professor Nestor Goulart destaca que até mesmo os mínimos detalhes são planejados de antemão na  construção de uma cidade, geralmente baseados em experiências anteriores.

TÈCNICA TAIPA DE PILÂO – Foi através da taipa de pilão, técnica de origem moura bastante utilizada por portugueses, que erigiu-se a primitiva Vila de São Paulo. Dava-se assim início há uma longa tradição, que só desapareceria na segunda metade do século XIX. ( LEITE,1936). Em razão de ausência de pedras no sítio, essa foi a solução para construir os primeiros edifícios. Apesar das populações indígenas que aqui habitavam terem suas técnicas construtivas desenvolvidas à sua maneira, utilizando principalmente palmeiras e substratos vegetais, o refinado olhar lusitano entendeu que a maneira eficaz para construir era a taipa, técnica às vezes utilizada na porção Meridional de Portugal. Dessa maneira, na edificação da primeira igreja construída aproximadamente no local em que hoje está o Pátio do Colégio, foi utilizada a taipa de pilão. Um pouco antes desta construção, em 1553, Santo André da Borda do Campo foi murada empregando-se está mesma técnica.

A taipa é uma técnica com suas limitações e, portanto,  possibilita exige cuidados quando em contato com agentes como a água e umidade. Constituída essencialmente de solo, a água da chuva pode danificá-la, sendo necessária a criação de uma maneira de minimizar esses danos. Desenvolvem-se largos beirais, que cobrem as paredes das gotas pluviais e assoalhos em pedra ou madeira, que protegem o chão da umidade que pode infiltrar.  Com a implantação de outras casas, surge um arruamento, ainda que insipiente, mas que obedece a lógica das águas pluviais: edifica-se de modo que a água da chuva escorra sem danificar os outros edifícios. Essa preocupação faz com que, ao longo do desenvolvimento da vila, criem-se mecanismos de escoamento através do desenho de ruas: são os becos e travessas, que tem a função de deixar passar as águas. Hoje, o Beco do Pinto, nas cercanias da Rua Roberto Simonsen, é um remanescente desse arruamento primitivo do mais remoro período colonial.  

Além disso, as águas de chuva também foram fator determinante no planejamento dos muros: (…) as águas não poderiam atravessar os muros. Poderiam  correr ao lado destes, por fora ou um pouco afastadas. Ao mesmo tempo, as águas que caíssem porta adentro deveriam encontrar sua saída , sem comprometer a estrutura de proteção ( REIS FILHO, 2004).

                O uso da taipa nos muros de Santo André da Borda do Campo  revela que o uso da taipa também estava vinculado à arquitetura militar, ponto fundamental para o estabelecimento da cidade.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s