A arquitetura militar no Brasil

– A arquitetura militar no Brasil

 

A herança portuguesa no Brasil deixou suas marcadas  em variados aspectos, em especial no que tange ao  objeto de discussão deste texto: a arquitetura militar no Brasil colonial.

A construção de fortificações e estocadas foi de vital importância para assegurar a influência  da Coroa portuguesa no território brasileiro , já que a edificação de aparatos militares no litoral brasileiro está associada a necessidade de assegurar a impermeabilidade de invasores, sejam holandeses ou franceses, no interior do território da colônia. Dessa forma, a arquitetura militar tem a finalidade principal de proteger e defender o território, servindo de base de apoio para o armamento bélico e soldados.

A atividade arquitetônica no Brasil colonial começa a partir da década de 1530, quando a colonização ganha impulso com a criação das Capitanias Hereditárias e a fundação das primeiras vilas, como Igaraçu e Olinda, fundadas por Duarte Coelho Pereira cerca de 1535, e São Vicente fundada por Martim Afonso de Sousa em 1532.

O elo entre Portugal e Brasil vai mais além do que uso da mesma técnica e material para a execução de construções. Engenheiros militares e arquitetos portugueses foram enviados para projetar e construir fortificações que defendessem terras brasileiras dos inimigos que vem do mar. Utilizou-se, comumente, a pedra de lioz, chamado mármore português – quando na verdade tratava-se de uma pedra calcária – para a construção do fortes. Esse mesmo material foi o utilizado na construção do Convento de Mafra, no período de D. João V.

Os engenheiros militares eram, em sua maioria, portugueses, sendo alguns de outras nacionalidades, especialmente italianos a serviço de Portugal. Estes engenheiros não ergueram apenas fortes, mas foram responsáveis também por delinear povoamentos e projetar edifícios administrativos e até construções religiosas. Um exemplo destacado no século XVII foi Francisco Frias de Mesquita, que esteve no Brasil entre 1603 e 1635 e construiu várias fortalezas, delineou a cidade de São Luís do Maranhão (após 1615) e projetou a igreja do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro (1617). Portanto, a preocupação com a proteção de ataques de estrageiros à Colônia não se limitava à iniciativa da Coroa. Há elementos, mais escassos porém, de arquitetura motivada pela iniciativa privada como a Torre de Garcia d’Ávila.

Conforme destaca Benedito Toledo de Lima em sua obra Do Século VVI ao início do Século XIX: Maneirismo, Barroco e Rococó, “…engenheiros militares trouxeram a arquitetura pombalina que poderíamos classificar como proto-clássica.” Entre as inovações pombalinas estão o neopaladianismo e o abandono ao excesso de ornamentação barroca, além disso há uma racionalização do processo construtivo. Essas novidades estão atreladas aos nomes de Sá e faria, Landi e João Roscio, arquitetos-engenheiros militares enviados em nome da Corte.

Nesse contexto o forte é construído conforme as técnicas já dominadas, tais como as aprendidas com a escola francesa, que trabalha polígonos irregulares. Conformam-se pátios internos  que propiciam um pátio interno , protegendo e armazenando a pólvora e  equipamentos bélicos. Os baluartes, muitas vezes, são dispostos com a forma de pontas, possibilitando que seja possível visualizar o que acontece dentro do forte a partir da base.

Dessa forma, pode-se concluir, que a arquitetura primordial do Brasil está intrinsecamente relacionada à assimilação dos tratados paladianos e vestígios barrocos atrelados aos engenheiros militares que, a serviço da Coroa portuguesa, edificaram um arquitetura adaptada às condições naturais encontradas aqui no território. A manutenção do Brasil na condição de colônia esteve subjugada à existência de tal arquitetura, que afirmando a presença portuguesa, permitiu a proteção e defesa dos ataques de inimigos e, garantiu o domínio português em terras brasileiras, fazendo do Brasil, hoje, esse imenso território com heranças portuguesas, um verdadeiro mosaico português.

 

 

Bibliografia:

MORI, Victor Hugo – Arquitetura Militar: Um Panorama histórico a partir do Porto de Santos

BAETA, Rodrigo Espinha – O Barroco, A arquitetura e a cidade nos séculos XVII e XVIII.

 

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