PALACETE FRANCO DE MELLO- Avenida Paulista 1919

A avenida paulista, importante via da cidade de São Paulo, foi inaugura em 1892, projeto do engenheiro uruguaio Joaquim Eugenio de Lima. Foi o logradouro da elite paulistana com figuras como Francisco Matarazzo, Caio Prado, Cerqueira Cesar. Viviam sobre a bruma da Belle Époque.

 A Paulista era endereço dos imigrantes: Matarazzo ( industria) , Rizkhalla ( casa da Boia?), Assad, Schaumann, Weizflog, Von Bullow, Thiollier, Klabin, Crespi, Siciliano, Gamba, Scarpa. Os nomes nacionais, apesar de pertencerem à famílias ligadas a cafeicultura, em sua maioria dedicavam-se a profissões liberais, desvinculados da agricultura e, portanto, não se enquadrando no que se convencionou chamar de “barões do café”. Nicolau Moraes Barros (médico); Horácio Sabino (empresário); Numa de Oliveira (banqueiro); Ernesto Dias de Castro (importador), Luis Anhaia (professor) eram alguns desses indivíduos que, apesar de ligados à economia cafeeira não eram produtores, mas sim profissionais liberais ou empresários notadamente urbanos.

 

Os cafeicultores propriamente ditos que ali residiram até a virada do século foram poucos, como Francisco Ferreira Santos e Joaquim Franco de Mello. Literalmente, a única pessoa que recebeu título de nobreza nos tempos do Império a residir na avenida foi a Baronesa de Arary, que construiu em 1917 um palacete com projeto de Victor Dubugras, junto ao parque Villon. Mas isso foi após ter morado nos Campos Elíseos e depois, já viúva, em Higienópolis.

 

Comparada com o que havia na época em termos de vias, a Paulista era destacadamente superlativa: três vias (para cada sentido?), separadas por magnólias e plátanos ( bananeiras) com imensos lotes de cada um de seus lados. Foi a primeira via pública asfaltada e arborizada de SP.Lá aconteciam corridas de charretes e cambriolé, além de circularem lá os primeiros carros.

Charrete

 

 Cambriolé

 

Grandes carnavais dos anos 20 e 30 foram estreiados nesta Avenida.

No final da década de 1920 houve uma alteração no nome , transformando-a em AV Carlos de campos.  A mudança desagradou o povo e o nome voltou a ser Paulista.

 

As construções residenciais na avenida surgiram para acolher a elite paulistana que já não queria viver no superlotado centro de São Paulo. O palacete Franco de Mello é contemporâneo a essa primeira ocupação da Paulista. Alguns moravam no centro e utilizavam os casarões da Paulista como casas de campo; esse era o caso da Vila Fortunata.

 

 

1938-1975

Nesse período a avenida foi puramente residencial, já que a construção de prédios estava proibida, à exceção dos equipamentos institucionais ( hospitais, escolas, cinemas, teatros e órgãos da imprensa). Essa concessão fora promulgada pelo prefeito Armando de Arruda Pereira e estendeu-se para estabelecimentos comerciais ( 1952). Surgem prédios de uso misto – residencial e comercial- inspirados em modelos de Nova Iorque e Paris. O Conjunto Nacional é um dos exemplos mais marcantes de construções desse período. Ele ocupa o terreno onde estava construído o casarão do barão do café Horácio Sabino, construída em 1902.

Posteriormente outra lei aprovou o alargamento da via: dez metros de cada lado da avenida foram demolidos, obrigando um recuo dos prédios. Nessa época começa  A SUBSTITUIÇÃO DOS CASARÕES POR PRÉDIOS.

Figura, nesse período, a esfera comercial da avenida, que ganha várias galerias e centros comerciais. Nessa ocasião os preços dos terrenos sobem  e , concomitantemente a este processo, está ocorrendo o tombamento dos casarões históricos. Às vésperas do tombamento, vários casarões aparecem demolidos, para que não virem “micos” e seja possível, ao menos, vender o terreno desses imóveis.

Imagem da casa das rosas, um dos únicos casarões remanescente do período.

 

Foi projetado pelo escritório do Ramos de Azevedo, pouco antes de sua morte. Terminou em 1935. Foi habitado até 1986, quando o Governo desapropriou.

A Casa das Rosas foi comprada em 1986 por Júlio Neves e Mário Pimenta Camargo, que se comprometeram a restaurá-la e abri-la para visitação pública em troca da concessão da construção, no fundo do terreno, do edifício Parque Cultural Paulista

A lei de Tombamento no Brasil foi implementada  em 1983 ( confirmar essa info).

 

O casarão Vila Matarazzo era um dos símbolos mais marcantes do capital industrial paulista. Construído entre 1939 e 1941, ficava no nº 1230 e era a maior mansão da avenida, com 2.800 m² de área construída num terreno de 12 mil m²

 

A CASA

Tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) em 1992, a mansão está cedida em comodato a um dos herdeiros, Renato Franco de Mello.

o espaço interno de 35 cômodos e pé direito baixo]

A casa é a única da Paulista que está em mau estado de conservação, por causa de uma batalha judicial entre os herdeiros e o governo estadual que já se arrasta há quase duas décadas.

 

 

A relação do dono com a casa

Manter conservado um imóvel tombado é caro, e já houve tentativas, por parte dos Francos de Mello, de conseguir uma indenização que os ajudasse a arcar com as despesas. O abrigo do museu seria, portanto, vantajoso para a família herdeira. No projeto estão incluídos o pagamento de contas pendentes e as reformas da construção. Jacqueline Mouradian ( curadora da exposição do museu Maurício de Souza) garante que Renato Franco de Mello se posiciona em favor da ideia. “Ele parece estar empenhado em dar um destino digno à casa”, revela .

O antiquário Renato Franco de Melo é, desde 1989, quem cuida do casarão da família, construído em 1905 em estilo provençal urbano pelo avô, Joaquim, fazendeiro de café que vendia terras para imigrantes japoneses. A casa, num terreno de 2 mil metros quadrados, está desocupada e dá prejuízo: nada menos que R$ 24 mil por mês só de IPTU. “Meu ideal é que ela seja preservada”, diz Franco de Melo. “Você viu o que aconteceu com a mansão dos Matarazzo; foi destruída. Mas há bons exemplos, como o que a Porto Seguro fez com as duas casas de Raul Dino Bueno nos Campos Elísios, combinando construção e conservação.” Para ele, o problema da Avenida Paulista é a especulação imobiliária, que “não respeita a memória e a qualidade de vida”. 

 

O museu Maurício de Souza

Tem preferência pelo local em razão do fácil acesso e a ótima localização do espaço.

A implantação do museu da Turma da Mônica num casarão como este é excepcional já que funde os clássicos personagens que acompanharam a infância de tantos brasileiros com a  história de um casarão tradicional e de tão rica história. É a consolidação e a preservação de duas memórias num único ato, descentralizando a memória apenas na arquitetura, mas se apropriando da memória artística do desenho em quadrinhos de Maurício de Souza.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=284780

http://www.bigviagem.com/a-casa-das-rosas-avenid

Palacetes

 

 

 

A avenida paulista, importante via da cidade de São Paulo, foi inaugura em 1892, projeto do engenheiro uruguaio Joaquim Eugenio de Lima. Foi o logradouro da elite paulistana com figuras como Francisco Matarazzo, Caio Prado, Cerqueira Cesar. Viviam sobre a bruma da Belle Époque.

 

 A Paulista era endereço dos imigrantes: Matarazzo ( industria) , Rizkhalla ( casa da Boia?), Assad, Schaumann, Weizflog, Von Bullow, Thiollier, Klabin, Crespi, Siciliano, Gamba, Scarpa. Os nomes nacionais, apesar de pertencerem à famílias ligadas a cafeicultura, em sua maioria dedicavam-se a profissões liberais, desvinculados da agricultura e, portanto, não se enquadrando no que se convencionou chamar de “barões do café”. Nicolau Moraes Barros (médico); Horácio Sabino (empresário); Numa de Oliveira (banqueiro); Ernesto Dias de Castro (importador), Luis Anhaia (professor) eram alguns desses indivíduos que, apesar de ligados à economia cafeeira não eram produtores, mas sim profissionais liberais ou empresários notadamente urbanos.

 

 

 

Os cafeicultores propriamente ditos que ali residiram até a virada do século foram poucos, como Francisco Ferreira Santos e Joaquim Franco de Mello. Literalmente, a única pessoa que recebeu título de nobreza nos tempos do Império a residir na avenida foi a Baronesa de Arary, que construiu em 1917 um palacete com projeto de Victor Dubugras, junto ao parque Villon. Mas isso foi após ter morado nos Campos Elíseos e depois, já viúva, em Higienópolis.

 

 

 

Comparada com o que havia na época em termos de vias, a Paulista era destacadamente superlativa: três vias (para cada sentido?), separadas por magnólias e plátanos ( bananeiras) com imensos lotes de cada um de seus lados. Foi a primeira via pública asfaltada e arborizada de SP.Lá aconteciam corridas de charretes e cambriolé, além de circularem lá os primeiros carros.

 

Charrete

 

 

 

 Cambriolé

 

 

 

Grandes carnavais dos anos 20 e 30 foram estreiados nesta Avenida.

 

No final da década de 1920 houve uma alteração no nome , transformando-a em AV Carlos de campos.  A mudança desagradou o povo e o nome voltou a ser Paulista.

 

 

 

As construções residenciais na avenida surgiram para acolher a elite paulistana que já não queria viver no superlotado centro de São Paulo. O palacete Franco de Mello é contemporâneo a essa primeira ocupação da Paulista. Alguns moravam no centro e utilizavam os casarões da Paulista como casas de campo; esse era o caso da Vila Fortunata.

 

 

 

 

 

1938-1975

 

Nesse período a avenida foi puramente residencial, já que a construção de prédios estava proibida, à exceção dos equipamentos institucionais ( hospitais, escolas, cinemas, teatros e órgãos da imprensa). Essa concessão fora promulgada pelo prefeito Armando de Arruda Pereira e estendeu-se para estabelecimentos comerciais ( 1952). Surgem prédios de uso misto – residencial e comercial- inspirados em modelos de Nova Iorque e Paris. O Conjunto Nacional é um dos exemplos mais marcantes de construções desse período. Ele ocupa o terreno onde estava construído o casarão do barão do café Horácio Sabino, construída em 1902.

 

Posteriormente outra lei aprovou o alargamento da via: dez metros de cada lado da avenida foram demolidos, obrigando um recuo dos prédios. Nessa época começa  A SUBSTITUIÇÃO DOS CASARÕES POR PRÉDIOS.

 

Figura, nesse período, a esfera comercial da avenida, que ganha várias galerias e centros comerciais. Nessa ocasião os preços dos terrenos sobem  e , concomitantemente a este processo, está ocorrendo o tombamento dos casarões históricos. Às vésperas do tombamento, vários casarões aparecem demolidos, para que não virem “micos” e seja possível, ao menos, vender o terreno desses imóveis.

 

Imagem da casa das rosas, um dos únicos casarões remanescente do período.

 

 

 

Foi projetado pelo escritório do Ramos de Azevedo, pouco antes de sua morte. Terminou em 1935. Foi habitado até 1986, quando o Governo desapropriou.

 

A Casa das Rosas foi comprada em 1986 por Júlio Neves e Mário Pimenta Camargo, que se comprometeram a restaurá-la e abri-la para visitação pública em troca da concessão da construção, no fundo do terreno, do edifício Parque Cultural Paulista

 

A lei de Tombamento no Brasil foi implementada  em 1983 ( confirmar essa info).

 

 

 

O casarão Vila Matarazzo era um dos símbolos mais marcantes do capital industrial paulista. Construído entre 1939 e 1941, ficava no nº 1230 e era a maior mansão da avenida, com 2.800 m² de área construída num terreno de 12 mil m²

 

 

 

A CASA

 

Tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) em 1992, a mansão está cedida em comodato a um dos herdeiros, Renato Franco de Mello.

 

o espaço interno de 35 cômodos e pé direito baixo]

 

A casa é a única da Paulista que está em mau estado de conservação, por causa de uma batalha judicial entre os herdeiros e o governo estadual que já se arrasta há quase duas décadas.

 

 

 

 

 

A relação do dono com a casa

 

Manter conservado um imóvel tombado é caro, e já houve tentativas, por parte dos Francos de Mello, de conseguir uma indenização que os ajudasse a arcar com as despesas. O abrigo do museu seria, portanto, vantajoso para a família herdeira. No projeto estão incluídos o pagamento de contas pendentes e as reformas da construção. Jacqueline Mouradian ( curadora da exposição do museu Maurício de Souza) garante que Renato Franco de Mello se posiciona em favor da ideia. “Ele parece estar empenhado em dar um destino digno à casa”, revela .

 

O antiquário Renato Franco de Melo é, desde 1989, quem cuida do casarão da família, construído em 1905 em estilo provençal urbano pelo avô, Joaquim, fazendeiro de café que vendia terras para imigrantes japoneses. A casa, num terreno de 2 mil metros quadrados, está desocupada e dá prejuízo: nada menos que R$ 24 mil por mês só de IPTU. “Meu ideal é que ela seja preservada”, diz Franco de Melo. “Você viu o que aconteceu com a mansão dos Matarazzo; foi destruída. Mas há bons exemplos, como o que a Porto Seguro fez com as duas casas de Raul Dino Bueno nos Campos Elísios, combinando construção e conservação.” Para ele, o problema da Avenida Paulista é a especulação imobiliária, que “não respeita a memória e a qualidade de vida”. 

 

 

 

O museu Maurício de Souza

 

Tem preferência pelo local em razão do fácil acesso e a ótima localização do espaço.

 

A implantação do museu da Turma da Mônica num casarão como este é excepcional já que funde os clássicos personagens que acompanharam a infância de tantos brasileiros com a  história de um casarão tradicional e de tão rica história. É a consolidação e a preservação de duas memórias num único ato, descentralizando a memória apenas na arquitetura, mas se apropriando da memória artística do desenho em quadrinhos de Maurício de Souza.

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

 

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=284780

 

http://www.bigviagem.com/a-casa-das-rosas-avenida-paulista-sao-paulo/

 

http://saopauloantigo.blogspot.com.br/2007/09/avenida-que-nunca-foi-dos-bares.html

 

http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/justica-barra-obra-ao-lado-de-casarao-na-paulista/

a-paulista-sao-paulo/

http://saopauloantigo.blogspot.com.br/2007/09/avenida-que-nunca-foi-dos-bares.html

http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/justica-barra-obra-ao-lado-de-casarao-na-paulista/

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