HIstória da Arquitetura – Estudos de Caso

Estudo de Caso – aula 18/05/2012

 

Os estudos de caso apresentados na aula de hoje referem-se a edifícios contemporâneos, do início do século XX. Os referidos edifícios estão localizados, na Rua Três Rios, bairro do Bom Retiro, em São Paulo. 

O edifício Paula Souza, um dos muitos projetos do escritório Ramos de Azevedo na cidade, era conhecido como “prédio Novo”. Em 1930, recebeu a denominação de Edifício Paula Souza.

Concluído em 1889, hoje é a sede administrativa do Centro Paula Souza.  Símbolo das concepções que orientavam o curso de Arquitetura e Urbanismo da Poli. Possuía três corpos e dois anexos, com oficinas da carpintaria, serralheria (as oficinas de trabalhos manuais só foram abolidas na década de 30), e o Gabinete de Resistência dos Materiais. O Gabinete, instalado no pavilhão do lado esquerdo do prédio principal, era a melhor representação dos ideais de Paula Souza, ao colocar o ensino de engenharia a serviço do crescimento e do desenvolvimento da cidade, formando profissionais que dominassem técnicas – e tecnologias – dos processos produtivos. Esse modelo de escola rompe com o academicismo das escolas Francesas, já que propõe um ensino mais prático, muito embora a concepção de escola politécnica também seja francesa.

A criação dessa escola traz à tona a criação de um novo programa de escola Superior: uma escola politécnica que permite ao aluno a possibilidade de desenvolver seus estudos em engenharia na cidade de São Paulo, sem a necessidade  de viajar para o Rio de Janeiro ( onde havia as tradicionais escolas de engenharias) e à Europa, tal qual Paula Souza ou Ramos de Azevedo.

Concebido para abrigar a escola superior de engenharia, o prédio tem um estilo eclético, com alusão às influências abertamente europeia: a presença de colunas clássicas na fachada ( 1º pavimento contém colunas dóricas e 2º pavimento; jônicas), vitrais austríacos e os belos mármores de Carrara. O programa de necessidades do prédio dialoga com os ornatos do prédio: nos vitrais é possível visualizar referências ao ofício de engenheiro e arquiteto, enfatizando que o ambiente é uma instituição educacional para a formação dos  profissionais deste ramo.

Em 1930 ocorre uma alteração da fachada e a construção de um terceiro andar. Essa alteração no prédio desequilibra toda a lógica atribuída ao projeto já que o volume acima retira o destaque dos áticos laterais. Essa intervenção não foi a única, recentemente o prédio passou por um tímido processo de restauro, com a pintura de uma de suas fachadas, sendo que as demais fachadas foram pintadas.

O interior do prédio não é o melhor exemplo de conservação do patrimônio público. Tem problemas de manutenção, necessitando de reparos.

O segundo edifício apresentado, o Ramos de Azevedo, pronto em 1920, mostra clara mente as influências da formação clássica de Ramos durante seus estudos na Europa. Hoje, nele está instalado o Arquivo Municipal. A fachada traz princípios clássicos como o entablamento coríntio que marca a divisão do primeiro e segundo pavimentos. Além disso os motes clássicos de ornato também fazem alusão a essa característica do arquiteto. A articulação desses elementos com outros como o uso de concreto imitando a cantaria e a presença de abóbadas de arestas ( no porão) revelam o estilo eclético da edificação.

Observa-se a  preocupação em enfatizar através da disposição formal a importância de determinados espaços do prédio. Os volumes principais, que são três, são sobressaltados, exteriorizando as áreas principais do prédio ( laboratórios e auditório).

O prédio encontra-se hoje restaurado e em 2007 foi anexado um galpão ao Arquivo Municipal.

A terceira obra analisada foi a Oficina Cultural Oswald de Andrade, local concebido para ser uma escola de odontologia e farmácia particulares. Nele observam-se elementos clássicos como o “avanço” da parte central em relação a toda a fachada, como também o uso de elementos pré-fabricados como o ferro nas janelas, caracterizando um estilo eclético.

Na rua 3 rios, cujo epíteto era a Rua do Conhecimento, nota-se a presença de três importantíssimas instituições de ensino, contemporâneas e semelhantes no estilo arquitetônico, configurando um “polo” estudantil. A presença dessas instituições nessa região pode estar vinculada a presença de uma classe mais elitizada, que habitava os Campos Elísios, já que o enfoque do  ensino superior, neste período, era a classe mais abastada. Hoje uma região degradada do centro, o Bom Retiro, de certa maneira já viveu tempos de intenso dinamismo e fulgor no início da década de XX, logradouro do surgimento de importantes prédios institucionais.

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